As festas de meus amores

No dia de hoje, fecha-se um ciclo sempre admirável para mim, o das festas de meu amores.
O da festa da Dinha, que está completando aniversário; da festa da Só, que completou no último dia 24; da Mãe, que completou nesse mesmo dia; do Pai, que completou no último dia 15.

A Dinha

A Só

Hoje, comemoro os dias dos meus amores — e comemorando-os, comemoro por extensão toda a minha família.
Hoje é o dia do afeto.

A Mãe
O Pai

Quando criança, sempre fui muito emotivo: chorava ao fim de uma novela; chorava quando uma tia ia visitar-nos e eu ia à padaria comprar pão, e na volta, ela havia ido embora; chorava quando meus avós viajavam para São Paulo.
Numa dessa viagens, eu deveria ter no máximo uns nove anos de idade, numa dessa viagens, ele entraram no táxi, eu estava em pé na calçada, vendo eles se irem, e quando iam-se afastando, eu me disse: “nunca mais vou chorar por ninguém”.
Ali, blindei-me.
Ali, fechei o peito, por medo de novos abandonos.
Ali, disse-me nunca mais ter afeto algum, para que esse afeto não fosse traído.

Claro que o plano não deu muito certo, pois várias vezes mais eu me apeguei e fui abandonado e chorei.

Mas, isso ainda estava na superfície. Porque no fundo, mesmo, nos lençóis que há sob a terra que há sob o veio do rio, algo ficou sim bastante sólido e frio.

Desde a jura, sem perceber, dei trono e cetro à razão, e ela foi tirana, não querendo quaisquer afetos ao redor, quaisquer lágrimas que não fossem dadas por prazer estético, quaisquer tremores que pudessem pegar de volta aquele menino em pé na calçada, vendo os avós se indo, que pudessem pegá-lo de volta e abraçá-lo e dizer-lhe que não tivesse medo, porque os afetos são assim mesmo, são riso e choro, são afago e chaga.

Mas não é fácil desenterrar coisa escondida tão fundo e por tanto tempo.

Agora, aos 50 anos de idade, finalmente eu me digo e digo: não me chamem para lugar algum onde não seja aceito um afago, onde não seja aceito um afeto, onde não seja aceita uma lágrima. Não me chamem para onde se ria de quem se afeta.
Seja em qualquer trabalho, eu me recuso, hoje, a abrir mão de dizer que estou emocionado, que amo, que choro, que algo é lindo… Sou piegas. Tornei-me piegas. Quero ser piegas.

Eles dois

E assim, ridiculamente, eu digo: Dinha, eu amo você; Só, eu amo você; Mãe, eu amo a senhora; Pai, onde quer que o senhor esteja, além de na fotografia pendurada na parede de minha sala e na fotografia sobre o móvel do meu quarto, ao pé da minha cama, eu amo o senhor.
E amando a vocês, amo por extensão a minha família inteira.

Nós três

No dia de hoje, celebro isso de um modo particular, porque, mais do que em todos os dias, nesta data, eu celebro as festas de meus amores.

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